George Orwell e Aldous Huxley: Um passeio por dois clássicos da literatura distópica do século XX
Nathara Marriel Mariano[1]
Introdução
O grande marco da literatura
distópica está presente no início do século XX, quando emergem grandes autores
desse estilo literário. Porém, ao contrário do que possa ser imaginado, a distopia
não surgirá no século XX, mas sim será usada desde o surgimento de sua
antônima, a utopia, para discorrer sobre as mazelas da humanidade[2]. A maior parte das grandes
distopias do século XX, devem ser lidas à luz dos regimes políticos, os quais,
estão em evidência nessa época, os quais, muitas vezes diminuem a
individualidade do ser humano e o privam da liberdade[3]. Esse tipo de literatura é
formada a partir do medo de algo que possa ocorrer à raça humana, como uma
visão amedrontada do futuro, principalmente com o que diz respeito às novas
tecnologias e as mudanças sociais[4]. Sendo assim, o gênero
literário da distopia, nos trará grandes obras, as quais, nos fornecerão uma
visão futurística da humanidade, na qual, os seres humanos estarão em alguma
posição, a qual, nos incomodaremos, e nos chocaremos ao ler.
O campo literário das distopias,
abre-se, na primeira metade do século XX, com duas das maiores obras da
literatura mundial, seriam elas o 1984, do autor George Orwell e o Admirável
mundo novo, de Aldous Huxley. Ambas as obras se transformaram em clássicos
de sua época, pois, demonstravam uma visão peculiar sobre o futuro da humanidade,
e desta forma, tornaram-se leituras indispensáveis ao redor do mundo. Porém, as
duas obras não são apenas ficção de um futuro, mas sim, são formas de fazer
resistência à barbárie, a qual, está presente no tecido social[5], no qual esses indivíduos
estão inseridos. Partindo desse princípio, a literatura distópica dos dois
autores, podem ser vistas à luz de uma radicalização da análise da sociedade[6], levando-a ao extremo de
sua natureza humana.
Isso
posto, no decorrer da realização deste trabalho, proponho-me a analisar as duas
obras, as quais, foram citadas anteriormente. No que diz respeito a obra 1984,
de Orwell, sua história gira em torno de um país dominado por um regime
totalitário, enquanto, em o Admirável mundo novo, de Huxley, a trama se
dará à luz de uma sociedade, na qual, a tecnologia avançada e a supressão da
individualidade são os pilares de seu funcionamento. As obras, possuem
dezessete anos de diferença entre seus lançamentos, sendo a produção de Aldous
Huxley lançada primeiro, em 1932, e o livro de George Orwell tendo sua primeira
publicação em 1949. Porém, apesar do afastamento temporal das obras, o estilo
de literatura distópica presente nesses livros, possuem algo em seu cerne, o
qual, possibilita entende-las como uma projeção do futuro, e ainda fazer
paralelos entre as duas.
À
vista disso, proponho-me a analisar as duas distopias, procurando entender em
que medida essas obras se aproximam, e se afastam, uma da outra, traçando um
caminho seguido pelas duas obras e observando a substância, a qual, pode estar
presente no contexto das duas obras. O objetivo deste trabalho se dá em traçar
paralelos, se existentes, e divergências entre as duas obras, colocando cada uma
em seu universo, além de mescla-las com o mundo fora das páginas dos livros.
Esta análise está baseada na crença de que, as duas maiores obras de literatura
distópica da primeira metade do século XX, podem ter algo em comum, seja no
pensamento pessimista sobre o futuro, ou apenas nas ideias sobre o caminho, o
qual, será percorrido pela humanidade. Destarte, a tese principal deste
trabalho será a de que, os dois livros olham para o futuro, de formas
distintas, porém, mantendo uma essência do que pode acontecer com a humanidade,
e em última instância, traçando paralelos entre suas formas de pensar o futuro,
e de escrever sobre o mesmo.
Desenvolvimento
O autor George Orwell nos entrega,
em 1949, uma de suas obras literárias mais aclamadas, o distópico 1984.
O enredo da narrativa gira em torno de Winston Smith, personagem principal, o
qual, vive em um lugar, que “era Londres, principal cidade da Faixa Aérea Um,
terceira mais populosa das províncias da Oceânia”[7]. O personagem vive em um
regime totalitário, no qual, o mesmo faz parte do partido, o qual, é liderado
pelo grande irmão, que comumente é adorado por todos os habitantes da
Oceânia. Nesta sociedade, durante todo o tempo, os indivíduos estão sendo
observados, sejam por suas teletelas, ou por outros membros o partido,
os quais, poderiam denunciar desvios de conduta de seus colegas. O Estado, para
sua manutenção, conta com aparelhos repressores, como por exemplo, a novafala,
a qual pretende substituir o inglês tradicional para melhor controle da
comunicação, e ainda o ministério da verdade, que tem como objetivo, manipular
toda e qualquer informação. O raconto
nos apresenta uma sociedade, na qual, toda expressão de amor e interação
pessoal foi abolida, ou seja, estamos falando de uma sociedade que abdicou do
prazer sexual e institucionalizou todos os atos, inclusive o de amar, em
detrimento do bem do partido. Os únicos atos sexuais, permitidos, que
são apresentados na narrativa estão ligados ao “nosso dever para com o partido”[8], ou seja, o ato sexual
apenas era permitido para a procriação e o nascimento de futuros membros do partido.
Desta forma, a narrativa nos propõe uma sociedade altamente vigiada, na qual,
todas as instâncias da vida dos indivíduos são controladas, desde sua
movimentação em sua casa, até a comida que está em seu prato, pois, nada está
ali sem a permissão do partido.
Ao percorrer o caminho da distopia,
Aldous Huxley nos oferece uma ideia diferente em seu Admirável mundo novo,
pois, na realidade dessa sociedade, o grande imperativo é a tecnologia. Durante
a narrativa de Huxley, observamos que os indivíduos vivem em Londres, porém,
não a Londres do século XX, mas sim, uma Londres em “632 dF”[9], pois, nessa sociedade, o
ano é marcado após a revolução, e leva o nome de seu líder, Ford. O livro nos
mostra essa sociedade com alta tecnologia, na qual, o Estado Mundial, regido
pelo slogan de comunidade, identidade, estabilidade, tem o objetivo de
manter uma certa constância social, que está contida em um pensamento de ordem
e progresso[10].
Nesta realidade social, a tecnologia está extremamente avançada, desta maneira,
os bebês passam a não serem mais gerados pela mãe, e sim no seio do Centro
de Incubação e Condicionamento de Londres, onde, além de serem gerados sem
a necessidade de um hospedeiro humano, os novos indivíduos são divididos em castas
e condicionados a uma certa realidade social. As classes são divididas em Alfa,
Beta, Gama, Delta e Ípsilon, e subdivididas entre as mesmas, desta forma,
existem classes mais baixas, as quais, possuem um intelecto, e as castas mais
altas, que possuem um intelecto maior. Porém, os novos indivíduos não são
apenas divididos em castas, mas sim, os mesmos são condicionados fisicamente às
tarefas para as quais eles foram produzidos, além de serem condicionado a
“amarem o destino social de que não podem escapar”[11]. Os condicionamentos, em
Huxley, estão ligados à ideia de convencer o indivíduo que, durante as suas
vidas em sociedade, não há individualismo, e todos são parte de algo maior, e
que essa afirmação é a peça fundamental para a manutenção da estabilidade[12]. Os pontos fortes dessa
narrativa são, a supressão da família, pois, “o fim dos interesses particulares
familiares, que poderiam, em certa medida, entrar em contradição com os
interesses gerais defendidos pelo Estado.”[13], a liberdade sexual, sendo
todos os indivíduos livres para se relacionarem sexualmente com todos, e o
SOMA, um tipo de droga para a fuga desses indivíduos da realidade. Desta forma,
observamos uma sociedade tecnicamente avançada no sentido tecnológico, a qual,
superou tudo aquilo que o século XX nunca iria imaginar superar.
Partindo da compreensão das obras,
podemos começar a traçar alguns paralelos entre elas. O primeiro ponto
importante a ser mencionado é a concepção da supressão da individualidade
humana, a qual, está presente durante ambas as narrativas, sendo, em 1984,
exercida pelo controle de vigilância, o qual, é usado amplamente, ou em Admirável
mundo novo, no qual, o condicionamento a partir do nascimento passa a
suprimir os impulsos próprios da humanidade[14]. Desta forma, as duas
narrativas nos apresentam um caminho, no qual, tudo que faz parte da
individualidade humana, acaba sendo anexado ao aparelho do estado[15], portanto, o indivíduo
acaba por deixar de existir em sua essência, e passa a ser[16]
apenas em uma realidade mais complexa que a própria individualidade do sujeito.
Um segundo ponto de semelhança que
pode ser destacado é a concepção, em ambas as narrativas, de personagens, os
quais, estão inseridos no aparelho do Estado, porém, reagem à repressão que lhes
é imposta[17].
Durante as duas leituras, fica claro o fato dos principais personagens
possuírem algum tipo de consciência, a qual, os outros membros do Estado não
aparentam possuir. Porém, não apenas isso está intrínseco aos personagens,
pois, os sujeitos principais das duas obras trazem em si uma espécie de
nostalgia, algo que os incomoda à pensar que, a natureza humana não é a
apresentada pelo Estado, e que existem outras formas de viver estando alheio a
esse controle[18].
O autor Niculae Gheran, argumenta que o próprio aparelho do Estado traz em si o
cerne para que alguns indivíduos rompam com as amarras, sendo assim, o controle
em massa seria rompido e a individualidade humana emergiria[19]. Desta forma, ambas as
histórias contadas nos apresentam uma fuga ao sistema em vigor, proporcionada
por um rompimento com a lógica do sistema, por certos indivíduos, em que,
passamos a compreender que, o Estado não consegue suprimir a natureza do
indivíduo o tempo inteiro, pois, alguns destacam-se ao sentido oposto da
repressão.
Entretanto, ambas as narrativas não
se formarão apenas à luz de semelhanças, mas sim, do mesmo modo, possuirão
algumas diferenças. A maior diferença entre as duas obras, gira em torno da
questão sexual. Em 1984, o sexo é terminantemente proibido, a não ser
para procriação, desta forma, o partido promove uma grande repressão de
impulsos físicos e psicológicos para com o indivíduo, com o intuito de abolir
qualquer forma de interação sentimental humana, a qual, pudesse prejudicar a
participação do indivíduo na sociedade. Enquanto isso, em Admirável mundo
novo, a moral sexual é totalmente diferente, pois, a sociedade é regida pela
lógica da não existência de monogamia, ou seja, é permitido que todos se
relacionem, suprimindo assim a necessidade dos indivíduos formarem famílias, as
quais, são vistas como algo arcaico nessa sociedade. Desta forma, o fato do
personagem de 1984 promover a quebra de uma regra indispensável, o
afastamento sexual, se faz necessária para o amadurecimento da consciência
individual do sujeito. Isto posto, fica claro a grande diferença com relação à
questão sexual, pois, de um lado há a repressão, e do outro a completa
permissão, distinguindo assim as duas obras e mudando seus pontos de foco.
Outro ponto importante para
entendermos as diferenças entre as obras, se dá pelo tipo de repressão presente
em cada realidade distópica. Aldous Huxley nos apresenta a ideia de
condicionamento por meio da ciência, ou seja, os bebês são produzidos em
laboratórios, condicionados fisicamente a atividades específicas, e submetidos
à hipnopedia[20].
Desta forma, em Huxley, conseguimos ver uma sociedade, à qual, não necessita de
repressão, pois, todos os indivíduos são condicionados, física e mentalmente,
para aceitarem o caminho, ao qual, nasceram para trilhar. Contrapondo esse
pensamento, George Orwell nos oferece a visão de uma sociedade autoritária, na
qual, todos os indivíduos estão sendo vigiados durante todo tempo, e podem ser
submetidos à aparelhos de coerção, caso desobedeçam ao partido. Em 1984,
a forma de repressão violenta é muito presente, por exemplo, com o uso da vaporização
de pessoas, as quais, tentaram alguma forma de subversão. Desta forma, o modo
de manter os indivíduos “fiéis” ao Estado vai variar entre as duas obras, pois
uma usará a ciência, e a outra usará aparelhos de repressão do Estado para se
manter no poder, ou seja, apesar de
falarem sobre duas sociedades distópicas, elas não se fazem iguais nesse
sentido.
Conclusão
Apesar de estarmos tratando sobre
duas narrativas de estilo distópico, não podemos esperar que as histórias sejam
iguais, ou parecidas em todos os aspectos, pois, uma das características da
distopia é fazer uso das tendências negativas da sociedade, levando-a a seu
exponencial[21],
desta forma, a narrativa depende totalmente da visão do autor. O modelo
orwelliano está ligado ao regramento das atividades, as quais, deveriam ser
ações espontâneas do estado humano[22]. Em contra partida,
Aldous Huxley nos surpreende com um modelo de sociedade, na qual, o avanço
tecnológico do Estado é o principal poder dominante. Desta forma, podemos
perceber que, duas distopias não precisam ser iguais, e nem devem ser, sendo
assim, devemos perceber a essência de cada uma delas, sem pensar em um modelo
pronto para a escrita de narrativas distópicas.
Durante o curso deste trabalho,
foram apresentados dois argumentos, os quais, podem nos sugerir convergências
entre as duas obras, argumentos esses que giram em torno da supressão da
individualidade humana e a nostalgia do indivíduo, os quais, estão presentes e
incorporadas às duas obras em seus personagens principais. Por outro lado,
durante a análise, argumentos de divergência entre as duas obras foram
apresentados, para contrapor a ideia de que as obras apenas possuem algo em
comum. As divergências estarão à luz do pensamento sobre as questões sexuais em
ambas as obras, assim como, as divergências com o que diz respeito a forma de
repressão presentes nas duas narrativas.
Levando-se em conta o que foi
observado, entende-se que as duas obras, 1984, de George Orwell, e Admirável
mundo novo, de Aldous Huxley, nos oferecem argumentos para observar um
panorama sobre, em que medida as duas distopias se aproximam ou se afastam na
forma de contar suas histórias. Desta forma, podemos compreender que, apesar de
estarmos analisando duas obras com o mesmo estilo literário, elas não possuem
apenas pontos de conexão, mas possuem, igualmente, pontos de discordância.
Porém, cada obra deve ser entendida em sua própria essência, analisando cada
realidade distópica, e compreendendo o pensamento que cada autor quis
transbordar em sua obra. Por fim, podemos afirmar que, George Orwell e Aldous
Huxley nos entregam obras de extrema importância, não apenas para o universo da
literatura distópica, mas para todo o universo da literatura do século XX.
Bibliografia
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WERNER, C., &
SIMONI, S. C. (2015). O livro da literatura. São Paulo: Editora Globo.
[1]
- Graduanda em Licenciatura Plena em
História (UFRRJ)
[2]
- WERNER, C., & SIMONI, S. C. (2015). O livro da
literatura. São Paulo: Editora Globo. p, 252.
[3] - GHERAN, N. (2012). Fracturing the
monstrous geography of George Orwell's 1984 and Aldous Huxley's Brave New World
- Eroticism, dissidence and individualism. STUDIA UBB PHILOLOGIA, LVII(4),
91-99. p, 92.
[4]
- WERNER, C., & SIMONI, S. C. (2015). O livro da literatura. São Paulo:
Editora Globo. p, 252.
[5] - HILÁRIO, L. C. (2013). Teoria critica e literatura: A
distopia como ferramenta de análise radical da modernidade. Anuário de
Literatura, 18(2), 201-215. p, 202.
[6] - Ibdem
[7] - ORWELL, G. (2019). 1984. São Paulo: Editora
Schwarcz. p, 13.
[8] - ORWELL, G. (2019). 1984. São Paulo: Editora
Schwarcz. p, 85.
[9] - HUXLEY, A. (2016). Admirável mundo novo. São
Paulo: Editora Globo. p, 23.
[10] - NETO, J. F., & DESTRO, M. R. (2009). O ensino da
filosofia de Platão através da obra Admirável mundo novo, de Aldous Huxley:
educação, cidadania e a defesa da estabilidde social. Educação em Revista,
1-14. p, 2.
[11] - HUXLEY, A. (2016). Admirável
mundo novo. São Paulo: Editora Globo. p, 36.
[12] - NETO, J. F.,
& DESTRO, M. R. (2009). O ensino da filosofia de Platão através da obra
Admirável mundo novo, de Aldous Huxley: educação, cidadania e a defesa da
estabilidde social. Educação em Revista, 1-14. p, 5.
[13] - NETO, J. F., & DESTRO, M. R.
(2009). O ensino da filosofia de Platão através da obra Admirável mundo novo,
de Aldous Huxley: educação, cidadania e a defesa da estabilidde social. Educação
em Revista, 1-1a. p, 10.
[14] - GHERAN,
N. (2012). Fracturing the monstrous geography of George Orwell's 1984 and
Aldous Huxley's Brave New World - Eroticism, dissidence and individualism.
STUDIA UBB PHILOLOGIA, LVII(4), 91-99. p, 92-93.
[15] - GHERAN,
N. (2012). Fracturing the monstrous geography of George Orwell's 1984 and Aldous
Huxley's Brave New World - Eroticism, dissidence and individualism. STUDIA UBB PHILOLOGIA, LVII(4),
91-99. p, 93.
[16] - JAPIASSÚ, H., & MARCONDES, D. (2001). Dicionário
básico de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar. p, 173.
[17] - GHERAN,
N. (2012). Fracturing the monstrous geography of George Orwell's 1984 and
Aldous Huxley's Brave New World - Eroticism, dissidence and individualism.
STUDIA UBB PHILOLOGIA, LVII(4), 91-99. p, 94.
[18] - GHERAN,
N. (2012). Fracturing the monstrous geography of George Orwell's 1984 and
Aldous Huxley's Brave New World - Eroticism, dissidence and individualism.
STUDIA UBB PHILOLOGIA, LVII(4), 91-99. p, 94-95.
[19] - GHERAN, N. (2012). Fracturing the monstrous geography of George
Orwell's 1984 and Aldous Huxley's Brave New World - Eroticism, dissidence and
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[20] - HUXLEY, A. (2016). Admirável
mundo novo. São Paulo: Editora Globo. p, 49.
[21] - BERRIEL, C. E. (2005). Utopia,
distopia e história. Editorial da MORUS, 4-10. p, 6.
[22] - BERRIEL, C. E. (2005). Utopia,
distopia e história. Editorial da MORUS, 4-10. p, 6.

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